quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Justiça suíça vê 'indícios concretos' contra Eduardo Cunha

Brasil
 ESQUEMA DE CORRUPÇÃO 
Cunha é levado ao IML de Curitiba para
realizar exame de corpo de delito
(Foto: Reprodução/Uol)
Na primeira manifestação sobre o mérito de uma investigação envolvendo o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a Justiça da Suíça afirmou que existem "indicações concretas" e suspeitas "óbvias" e "suficientes" de que o deputado cassado esteve envolvido em um esquema de "corrupção". Para o Tribunal Penal Federal da Suíça, pela posição que ocupava no Congresso, o peemedebista tinha a "capacidade de influenciar" a decisão sobre negócios da Petrobras no Benin, na África, em maio de 2011.

Cunha é réu na Justiça brasileira acusado de receber propina de contrato de exploração de petróleo no país africano e usar contas na Suíça para lavar o dinheiro. A ação tramita na 13.ª Vara Criminal Federal em Curitiba, sob responsabilidade do juiz Sério Moro. As conclusões das autoridades suíças estão em decisão na qual o Tribunal Penal Federal nega desbloquear contas de pessoas e empresas envolvidas na operação - a corte, no entanto, não revela o autor do pedido. Liberados nesta semana, os papéis datam de novembro de 2016 e podem também servir ao processo no Brasil.

Na decisão de manter congelados os recursos no país, o tribunal suíço relata ainda como o negócio da Petrobras no Benin irrigou uma conta controlada por Cunha. À época, o peemedebista era deputado. A estatal brasileira pagou US$ 34,5 milhões (R$ 111 milhões, na cotação desta quarta-feira), em maio de 2011, pela exploração de uma área no país africano, conhecida como Bloco 4.

Segundo as autoridades suíças, após o negócio, foi transferido cerca de US$ 1,3 milhão (o equivalente a R$ 4,2 milhões) para uma conta no país atribuída a Cunha. O documento também afirma que, diferentemente do que diz o peemedebista, ele é o beneficiário direto dos ativos. Cunha foi cassado em setembro do ano passado por mentir à CPI da Petrobras ao dizer não possuir contas no exterior. Em sua defesa, afirmou que os valores na Suíça estavam depositados em um trust.http://t.dynad.net/pc/?dc=5550001892;ord=1483633621231https://t.dynad.net/pc/?dc=5550001577;ord=1483633635189

'Provas'
"O beneficiário era N, o ex-presidente da Câmara dos Deputados", afirmou o tribunal penal. O documento não cita o nome do deputado cassado e o descreve apenas pela letra N. A reportagem apurou que a sigla se refere de fato a Cunha.
Para não liberar o dinheiro bloqueado, o tribunal suíço avalia que existem "provas suficientes de que os fundos podem estar nas contas penhoradas no banco E, em conexão com o assunto sob investigação".

O nome do banco não foi revelado e apenas marcado com a letra E. A Justiça suíça ainda aponta que a Petrobras teria pago um valor inflacionado pelo negócio para incluir a corrupção.
(Fonte: O Estado de S. Paulo)

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