sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Líderes de facção criminosa mandam matar quem faz delação

Brasil
 MANDANTES DO PRESÍDIO FEDERAL 
Em março de 2016, Edilson Borges Barroso
foi assassinado em Manaus, a mando da FDN
Apesar de estarem presos na penitenciária federal de Campo Grande (MS), chefes da FDN (Família do Norte) deram ordens para matar integrantes da facção que fizeram delação premiada, apontam decisões da Justiça Federal. Ao menos um assassinato em Manaus está sob suspeita de ter sido ordenado por líderes da facção presos na capital sul-mato-grossense. 

O UOL teve acesso a decisões do desembargador federal Maurício Kato, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, sobre pedidos de habeas corpus de membros da facção. Os documentos citam informações da Seap (Secretaria de Administração Penitenciária do Estado do Amazonas) de que os líderes da FDN passavam ordens de assassinato por meio de advogados e parentes que os visitavam no presídio federal. "Conforme informado pelo secretário-executivo-adjunto da Seap, de acordo com informações coletadas pelo Dipen (Departamento de Inteligência Penitenciária), 'CD' (Erik Leal Simões) estaria em contato com parentes e advogados dos presos da Operação La Muralla, aguardando a autorização dos mesmos para a execução de ordem para assassinar internos que aderiram a acordo de delação premiada em detrimento dos membros de referida organização delitiva", lê-se nos documentos judiciais.

Massacre de Manaus
Apontada como responsável pela morte de 60 detentos no último dia 1º em dois presídios de Manaus, a FDN teve seus líderes presos em novembro de 2015, durante a Operação La Muralla, deflagrada pelo Ministério Público Federal. Com base em investigações da Polícia Federal, a operação revelou a estrutura da terceira maior organização criminosa do país.

Os principais acusados foram transferidos aos presídios federais de Campo Grande (MS) e de Catanduvas (PR).  Após o massacre na capital, outros membros da facção serão transferidos para unidades administradas pelo Depen (Departamento Nacional Penitenciário), órgão do Ministério da Justiça.

Assassinato em Manaus
Em 11 de março de 2016, o integrante da FDN Edilson Barroso Borges, o "Louro Penarol", foi morto a golpes de estuque (espécie de facão improvisado) em frente à sua cela na Unidade Prisional do Puraquequara, em Manaus.

"Louro Penarol" havia sido preso durante a Operação La Muralla, mas não foi transferido para um presídio federal. O fato levou à direção da FDN a suspeitar de que ele estava colaborando com as autoridades, como afirmou à reportagem o secretário de administração penitenciária do Amazonas, Pedro Florêncio Filho.
(Fonte: Uol)

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