segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Mais da metade dos jovens não usaram camisinha no último ano

Brasil
 6 EM CADA 10 
Os jovens estão deixando de usar camisinha. Apesar dos alertas de que o preservativo evita Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) ou gravidez indesejada, diferentes justificativas aparecem e a ausência da camisinha vira hábito.

Para ter uma ideia, uma pesquisa do Ministério da Saúde mostrou que 9 em cada 10 jovens de 15 a 19 anos sabem que usar camisinha é o melhor jeito de evitar HIV, mas mesmo assim, 6 em cada 10 destes adolescentes não usaram preservativo em alguma relação sexual no último ano.

Nem aqueles que são ainda mais jovens e estão no início da vida sexual dão atenção para o preservativo. A Pense (Pesquisa Nacional de Saúde Escolar), publicada pelo IBGE, mostrou que em 2015, 33,8% dos adolescentes entre 13 e 17 anos que já tinham começado sua vida sexual não usou camisinha na última transa --o índice é nove pontos percentuais maior do que em 2012. Quando perguntados, as justificativas para deixar de lado a proteção mesclam a falta de preocupação, de informação e o descuido.

"Na hora não penso nisso"
Um dos obstáculos que deixa os jovens mais distantes da camisinha é a falta comunicação direta. Antigamente, uma propaganda na televisão conseguia atingir toda a população e deixar claro a importância da prevenção. Hoje em dia, o jovem já não assiste canais de TV aberta e passa muitas horas grudado no celular.  "O mundo e as conversas mudaram, as campanhas pelo uso da camisinha têm que evoluir", diz Adele Benzaken, diretoria do Departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

Uma das tentativas do Ministério de modernizar o diálogo aconteceu nas Olimpíadas e as Paraolimpíadas no Rio de Janeiro, em 2016. Usando o aplicativo de paquera "Hornet", voluntários tiraram dúvidas sobre prevenção, diagnóstico e tratamento de DSTs. Mais de mil mensagens foram trocadas durante os 49 dias do projeto, chamado #CloseCerto. "Falta usar mais essa criatividade nas campanhas. Tem que ser menos careta, mais frequente. As campanhas estão sumindo e o jovem não percebe a vulnerabilidade que tem", comenta Roseli Tardelli, editora-executiva da Agência Aids.

"Tenho mais medo de gravidez do que de Aids"
 Por mais clichê que soe, outro fator que diminui o receio da geração é não ter vivenciado o período em que muitos famosos ficaram doentes e morreram por conta da doença. É aquela história de que eles não perderam ídolos ou conhecidos para Aids e por isso não acham o diagnóstico preocupante. "No início da epidemia de Aids, ao descobrir um soro positivo você praticamente anunciava a morte. O sofrimento era enorme, marcou a população, mas 30 anos depois esse medo se esfarelou.

Adele Benzaken, diretora do Ministério da Saúde
Além disso, também houve certa banalização quanto ao tratamento da doença. A euforia com um remédio que controla os riscos passou uma mensagem de que tudo bem se infectar. "A culpa também é dos profissionais de saúde. Ficamos animados com o tratamento fantástico, os benefícios do remédio apareceram mais do que a preocupação com a transmissão", afirma Benzaken.
(Fonte: Uol)

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