sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Suicídio de veterinária faz Taiwan proibir sacrifício de animais

Mundo
 NOVA LEI 
Chien se matou em maio do ano passado
(Foto: Reprodução)
Uma nova lei proibindo o sacrifício de animais está entrando em vigor em Taiwan. Ela vem quase um ano após o suicídio de uma veterinária abalada com a situação de animais recolhidos em abrigo, um caso que causou grande comoção no país. Abaixo, a repórter da BBC Cindy Sui conta como o caso acabou precipitando a criação da nova lei:

Talvez a veterinária e amante dos animais Chien Chih-cheng estivesse no emprego errado na hora errada. "Ela muitas vezes trabalhava até tarde", conta Winnie Lai, colega de trabalho dela em um abrigo para cães abandonados na cidade de Taoyuan. "Quase nunca tirava uma hora para o almoço e sacrificava seus feriados para dar aos cachorros mais atenção e melhorar suas vidas."

Formada em uma das melhores universidades do país e com uma das mais altas pontuações nos exames finais, Chien poderia ter escolhido um trabalho de chefia na sede do abrigo, mas optou por cuidar pessoalmente de cães que são abandonados todos os anos em Taiwan.

A entrada era decorada com desenhos e fotos de animais feitos por Chien para motivar adoções, mas a maioria dos animais acabava sendo destinada ao sacrifício.

Em 5 de maio do ano passado, Chien se matou usando a mesma droga administrada no sacrifício de cães. Ela disse que queria ajudar as pessoas a entenderem o destino de cães abandonados em Taiwan.
O caso teve grande impacto no país pela morte trágica de uma pessoa tão jovem - e levantou, também, um questionamento acerca das pressões suportadas pelas pessoas que trabalhavam na linha de frente da batalha contra o abandono dos animais de estimação.

Vieram à tona imagens de uma entrevista que Chien tinha dado a uma rede de TV local, em que descreve a primeira vez que viu um animal sendo sacrificado. "Eu fui para casa e chorei a noite toda", diz ela.

Mas surgiram também detalhes sobre o dilema vivido por ela. Empregados do abrigo não queriam sacrificar os cães, mas Chien e outros viam essa como a solução "menos dolorosa" para os animais que ficavam ali, envelhecendo sem ser adotados, correndo risco de pegar doenças por causa da superlotação do local.

Ela chegou a sofrer ataques pessoais, e recebeu o apelido de "a bela assassina" quando foi revelado que Chien já havia sacrificado 700 cachorros em dois anos.
(Fonte: Uol)

Nenhum comentário: