sexta-feira, 16 de junho de 2017

Apoiar Temer é fazer escolha entre o ruim e o péssimo, diz Doria

Brasil
 POLÍTICA 
O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), disse, em entrevista exclusiva à BBC Brasil, que o desembarque do PSDB do governo Michel Temer (PMDB) poderia colocar o Brasil numa crise política e econômica profunda e que o apoio tucano ao presidente, ratificado nesta semana, é a escolha entre o ruim e o péssimo. “Nós estamos do lado do Brasil. Mais do que tudo, é a proteção ao Brasil, à governabilidade, o apoio às reformas no Congresso Nacional. O desembarque do PSDB do governo neste momento implicaria colocar o Brasil numa crise profunda no plano econômico e no político. Hoje, nós estamos no plano político apenas. Se o PSDB sair, mergulhamos também no plano econômico. E tudo o que nós não precisamos é de mais uma crise econômica”, disse.

Questionado se isso não significava apoiar a velha política que ele prometeu combater, Doria concordou. “É a velha política. E é ruim (..). Mas há certos momentos na vida em que você tem que fazer a avaliação sobre o ruim e o péssimo. Entre o ruim e o péssimo, o ruim é melhor que o péssimo”, afirmou.

Ele também criticou o encontro entre Temer e Joesley Batista, dono da JBS, que foi gravada pelo empresário e acabou virando uma peça de acusação contra o presidente pelo Ministério Público Federal.  “Não foi uma conversa adequada para um presidente da República. Nem na forma, nem no conteúdo, nem no local, nem no horário. Mas isto não implica definitivamente num equívoco fatal para o presidente. Significa um erro ético e moral, mas não é um fato determinante para o impeachment do presidente”, disse.

Aécio Neves
Sobre seu colega de partido, o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) – que, assim como Temer, foi seriamente implicado pelas delações da JBS -, Doria disse que ele tem o direito de se defender. “O PSDB defende que toda investigação seja feita em sua plenitude, sem esconder nada e sem inibir nenhuma investigação (…). Aécio deve ter direito à plena defesa e se, eventualmente for culpado, pagar por isso. Se for inocentado, retomar seu mandato e seguir sua carreira política”, afirmou.
(Veja)

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