quarta-feira, 14 de junho de 2017

Europa ameaça suspender importações de carne do Brasil

Brasil
 APÓS CARNE FRACA 
Unidade da Seara em Lapa (PR) em visita do
ministro Blairo Maggi após Operação Carne Fraca
Um dos maiores mercados para a carne brasileira, a União Europeia sinaliza a possibilidade de banir importações vindas do Brasil. Em carta enviada ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi, a Comissão Europeia, braço executivo da UE, afirma que o Brasil não tem feito nada para retomar a confiança do bloco após o escândalo provocado pela Carne Fraca.

A operação, deflagrada em março, revelou que empresas do setor de carnes pagaram propina a fiscais do Ministério da Agricultura, em troca da liberação de produtos fora das especificações sanitárias. O documento da UE, ao qual a Folha teve acesso, é duro e destoa do tom normalmente empregado em correspondências diplomáticas.

Assinada pelo comissário de Saúde e Segurança Alimentar da UE, Vytenis Andriukaitis, a carta afirma que o bloco "duvida da credibilidade dos sistemas de controle [sanitário]" e que os recentes escândalos enfraquecem a confiança na capacidade das autoridades brasileiras".

Membros da Diretoria-Geral de Saúde do bloco realizaram, entre 2 e 12 de maio, uma auditoria em frigoríficos brasileiros. Eles identificaram "deficiências críticas na maior parte dos setores inspecionados, muitas das quais de natureza grave". As deficiências se referem tanto ao respeito a normas sanitárias quanto às práticas oficiais de certificação.

No documento, a Comissão Europeia comunica a suspensão das importações de carne de cavalo do Brasil. O gesto é simbólico, uma vez que a carne não representa fatia significativa das exportações brasileiras. Em 2016, o Brasil exportou apenas US$ 6 milhões do produto para a UE. Porém, a ação sinaliza que as sanções podem ser estendidas às carne bovina e de frango, que também apresentaram problemas para os auditores europeus.

A União Europeia é o segundo maior comprador de frango do Brasil (US$ 1,074 bilhão em 2016) e o terceiro em bovinos (US$ 685 milhões). A comissão também critica a posição do Brasil diante de evidências de irregularidades com a Carne Fraca. As autoridades brasileiras suspenderam as exportações dos 21 estabelecimentos incriminados, mas o Ministério da Agricultura "julgou que não era necessário investigar outros estabelecimentos ou planejar ações para fortalecer os sistemas de controle sanitário", segundo a carta.

Desde meados de março, a UE reforçou os controles para a entrada de carne brasileira, rejeitando 90 carregamentos e identificando 93 irregularidades com os produtos. Além de barrar a carne de cavalo, os europeus querem que o Brasil implemente um sistema de testes microbiológicos para analisar a carne bovina e de frango antes que ela saia do país em direção à UE.

Andriukaitis diz que a Comissão Europeia vai enviar uma nova missão ao Brasil no fim de 2017. E faz uma ameaça: "Se a evolução da situação pedir, eu serei obrigado a considerar medidas adicionais de segurança".

Segundo pessoas ligadas ao Parlamento Europeu, o ministério ainda não respondeu formalmente o documento –o que gerou mal-estar entre diplomatas europeus no Brasil.

OUTRO LADO
A Folha procurou o Ministério da Agricultura, mas não houve resposta até a conclusão desta edição. Maggi está na China, e o ministro interino, Eumar Novacki, o único que poderia comentar o caso, segundo a assessoria da pasta, também está em viagem. A embaixada da UE em Brasília não comentou o caso.
(Uol)

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