quinta-feira, 6 de julho de 2017

Justiça autoriza transferência de repórter para presídio da região

Região
 TUPI PAULISTA 
Luana era procurada por atuar como "pombo correio" de facção 
Justiça autorizou a transferência da jornalista, advogada e modelo Luana de Almeida Domingos, de 32 anos, que está presa desde terça-feira (4) na cadeia de uma delegacia de São Paulo, para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior paulista. A mulher, que usava o nome Luana Don quando foi repórter de TV, é acusada de atuar como advogada participando da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

A decisão de transferir a presa, que está sendo chamada de ‘musa do crime’ por policiais, foi divulgada na quarta-feira (5) no site do Tribunal de Justiça (TJ) do estado. Apesar da autorização, até as 10h desta quinta-feira (6) Luana continuava detida na carceragem feminina do 89º Distrito Policial (DP), Portal do Morumbi, Zona Sul da capital. “Aguardamos os policiais daquela região do interior do estado virem buscar a moça”, disse nesta manhã ao G1 o delegado Olivio Gomes Lyra, que apesar de ser titular do 37º DP, Campo Limpo, está respondendo temporariamente pelo 89º DP. “Acreditamos que a transferência dela poderá ocorrer ainda nesta quinta”.

“Ela terá de ser transferida porque o caso é investigado aqui no interior”, disse na quarta o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público (MP) de Presidente Prudente.

A reportagem não conseguiu localizar nesta manhã os advogados da presa para comentar o assunto. Apesar disso, a reportagem apurou que sua defesa irá alegar que sua cliente é inocente porque não sabia que advogava para o PCC.

Organização criminosa
A Justiça determinou que Luana responda presa preventivamente ao processo no qual é ré pelo crime de participar de organização criminosa. Ela ainda terá de ser interrogada para o juiz decidir se a submeterá a julgamento pelo crime.

Luana é uma das 54 pessoas investigadas pelo MP sob a acusação de envolvimento com as atividades criminosas do PCC. Ele e mais 38 advogados foram identificados como integrantes da ‘sintonia dos gravatas, como a facção chamava o grupo que recebia dinheiro ilícito vindo do tráfico de drogas e assaltos para executar ordens da quadrilha.

Segundo a acusação, atuando como ‘pombos-correio’, os advogados tinham a missão de levar informações para os membros presos do PCC e os integrantes da facção que estão nas ruas. Entre as tarefas estavam repassar orientações a respeito da venda de entorpecentes e até planos de ataques a agentes de segurança.

Em novembro de 2016 o MP deflagrou a Operação Ethos para prender os investigados. Luana fugiu e passou a ser procurada, figurando na lista de mais procurados do site da Polícia Civil de São Paulo. Foragida há oito meses, ela foi presa na última terça numa ação conjunta entre policiais do Rio e paulistas. Estava escondida na casa de um parente em Ilhabela, litoral do estado. Antes de ser presa, Luana era famosa por ser repórter do programa Superpop (de 2012 a 2015), da RedeTV!, apresentado por Luciana Gimenez.

Segurança reforçada
Por causa da presença de Luana no 89º DP, a delegacia recebeu reforço policial, de acordo com policiais civis. Segundo investigadores, além dos dez agentes que já trabalhavam nesta manhã no local, mais dez policiais armados com fuzis e metralhadoras estavam no prédio por questões de segurança, já que a presa responde por envolvimento com a principal organização criminosa do estado.

Luana está numa das quatro celas da cadeia, a dividindo com mais três presas, todas com ensino superior completo, assim como a repórter. Ao todo, 16 mulheres estão na carceragem.

Entre outros investigados na Operação Ethos estão Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC, e Luiz Carlos dos Santos, então vice-presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. Atualmente, 10 pessoas foram condenadas e 44 se tornaram réus em processos por corrupção ativa e organização criminosa.

A pena para quem participa de uma facção pode chegar a até oito anos de prisão em regime fechado. Entre as provas do envolvimento dos advogados estão 500 mil e-mails interceptados com autorização judicial. A polícia ainda procura um acusado que está foragido.
(G1)

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